domingo, 30 de março de 2008

Teatro de Arena e Oficina – Uma Parte da Cultura Brasileira.

Importantes centros de vanguarda o Teatro de Arena e Oficina, ganharam o país pela irreverência, e resistência aos anos de autoritarismo do país.

Tendo inicio na década de 50, o Teatro de Arena e o Oficina, foram responsáveis pela maior revolução teatral executada no país, e deixaram suas influencias até hoje.
O Teatro de Arena teve inicio em 1953, e foi reconhecido por nacionalizar os palcos, difundir textos e politizar a discussão da realidade nacional.
Com a peça, Eles Não Usam Black – Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em1958, o Arena passou a ter uma estética de esquerda e a discutir sobre a realidade do país, chamou a atenção de vários segmentos da sociedade, já que personagens como empregadas domésticas e operários em greve, por exemplo, nunca antes haviam sido protagonistas de uma peça teatral.
Porém, com a realidade trazida pelo golpe militar, a companhia teve de repensar seu repertório, sem deixar o ¨novo¨, o ¨desconhecido¨.
A solução veio com a criação de Arena Conta Zumbi,em 1965,trazendo um novo modelo de dramaturgia, chamado sistema coringa. O tema escolhido era grandioso, falava de revolução e de como era possível construir outra realidade, mais justa e igualitária.
O sistema coringa, se baseia em todos os atores fazendo todos os papéis, alternando-os entre si, usando uma indumentária única e sem aprofundamento psicológico nas interpretações. A ligação entre os fatos e a narração dos episódios obscuros ficavam por conta de um Coringa, elo entra a ficção e a platéia.
Esse teatro exortativo da revolução acabou-se por se chocar com a proposta do Teatro Oficina.
Reconhecido na década de 60 por conta do seu ¨espetáculo – manifesto¨, o Teatro Oficina criado em 1958 pelos estudantes da Faculdade São Francisco,tinha a proposta de fazer um teatro ¨novo¨,diferente do aburguesado TBC ( Teatro Brasileiro de Comédia) e do nacionalista Arena.
Assim, com apenas algumas idéias existencialistas,em 1959,o Oficina passou a montar suas peças em regime amador. Se tornando profissional somente em 1961, com a peça A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Oddets. Com esta peça o Oficina se torna reconhecido pela critica como a melhor, de encenação realista, produzida no país.
Mais é em 1967, com a encenação carnavalesca e antropofágica de o Rei da Vela, de Oswald de Andrade, e por se tornar o arauto de um movimento batizado como tropicalismo, é que o Oficina ganha enorme repercussão.
Porém, com a instauração do AI-5, a situação política, e cultural do país se agravou, e tanto o Arena quanto o Oficina sofreram conseqüências.
O Arena novamente teve de se reposicionar, porem organizou peças pobres feita as pressas para responder cada vez mais ao convulsionado momento político. Já o Oficina, juntamente com uma crise interna, se esfacelou.
O retorno do Arena,acontece quando o então diretor Augusto Boal,monta em 1971, o Teatro Jornal 1º Edição,na montagem surgiu uma nova frente estética voltada para a mobilização popular.Com leitura de jornais diários,o elenco improvisava noticias e apresentava diversas angulações do problema flagrado,oferecendo-se para ensinar o publico.Esta foi a gênese do teatro do oprimido.
Quanto ao Oficina,a volta aconteceu com remanescentes da companhia que com o nome de Oficina Usyna Uzona,passou a patrocinar a vinda e a trabalhar com o grupo experimental norte-americano Living Theatre.
Mas com a ditadura implacável ainda em vigor, ambos os diretores do Arena,Augusto Boal e do Oficina,José Celso,foram detidos e exilados,levando praticamente ao fim a saga das duas companhias teatrais.
O espaço do Teatro de Arena na Rua Teodoro Baima foi comprado em 1977 pelo Serviço Nacional de Teatro, e atualmente funciona com o nome de Teatro Experimental Eugênio Kusnet, e abriga elencos de pesquisa da linguagem teatral. Já espaço do Oficina,localizado na Rua Jaceguai,foi reformado e transformado em uma ¨rua cultural¨.

Camila Fredini, ”uma ex – futura atriz de teatro frustrada”.

a tenra idade da Bossa Nova


“[...]
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
[...]”
Tom Jobim, Wave




A HISTÓRIA

Sempre que alguém fala sobre Bossa Nova, uma imagem que fica bem clara na imaginação da maioria dos brasileiros é uma belíssima praia do Rio de Janeiro, com uma moça bem curvilínea e bronzeada caminhando na areia, embalada por uma música qualquer de Tom e Vinícius ou João Gilberto.
Um outro cenário também se passa no Rio de Janeiro, quando falamos de Bossa Nova; uma abertura bacana, que mostra o Cristo, o Corcovado e o Bondinho do Pão de Açúcar. Depois dessa abertura, começa uma novela do Manoel Carlos, que se passa nos bairros de classe-média alta do Rio, onde uma certa Helena vai viver um problema qualquer e, no final, ser feliz para toda vida.
Ainda assim dizemos que Bossa Nova não é popular; que no senso comum, define massificado. Não fazemos questão nenhuma de esconder que consideramos a Bossa Nova a música da elite brasileira. Assim sempre foi, desde que surgiu, no final da década de 1950.
Quem diria que reuniões casuais de poetas e músicos influentes na sociedade da época, faria com que surgisse o mais despretensioso e mundialmente aclamado estilo musical brasileiro. Influenciada pelo jazz e pelo samba, a Bossa Nova foi uma espécie de movimento musical universitário, uma vez que suas primeiras apresentações foram nas faculdades, que, aos poucos, foi tomando conta do circuito de bares de Copacabana.
Mas, até então, as novas bossas que esses jovens compositores criavam não tinham um nome propriamente dito. Foi no Colégio Israelita-Brasileiro, que num dos samba sessions (os shows desse novo samba), que o nome Bossa Nova surgiu na lousa, escrito sabe-se lá por quem. Foi assim então, que os sambas modernos passaram a ter nome.
O marco histórico de surgimento da Bossa Nova se dá em agosto de 1958, e o movimento fica então associado a uma época de desenvolvimento urbano e social – o governo de Juscelino Kubitschek. O estopim da Bossa Nova é um compacto de João Gilberto, que continha as músicas Chega de saudade e Bim Bom.
As características mais marcantes do ritmo são as letras leves e descomprometidas, e o jeito de cantar, um tanto quanto falado, declamado, que de certa forma eliminava a questão de “saber cantar” ou de “ter uma grande voz”. Para cantar Bossa Nova basta, então, acompanhar a melodia.
O reconhecimento mundial veio em 1962, quando houve um concerto no Carnegie Hall, de Nova Iorque. Além disso, as regravações internacionais de músicas como Garota de Ipanema, Desafinado, Samba de uma nota só e Corcovado por celebridades da música mundial como Sara Vaughan, Stan Getz e, até mesmo Frank Sinatra.
Em meados da década de 1960, alguns músicos como Edu Lobo, Dori Caymmi e Marcos Valle, apoiados pelos Populares de Cultura da UNE, apresentaram uma cisão ideológica ao movimento, com uma visão mais nacionalista, passou então a criticar a influência do jazz na Bossa Nova. A proposta, então, foi a reaproximação com os sambistas dos morros, como Zé Ketti. Pilares do estilo, como Carlos Lyra e Nara Leão, aderiram ao movimento, juntando à bossa o samba de Cartola e Nelson Cavaquinho, e o baião e o xote do nordeste, como João do Valle. Nesse período de releitura, Vinicius de Moraes e Baden Pawell lançaram, em 1966, o LP Afro-sambas.




“Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
[...]”
Chico Buarque – A Banda




O LEGADO À MPB

O maior expoente do que passa a ser chamado então de “fim do movimento Bossa Nova”, se dá quando em 1965, Vinicius de Moraes compõe a música Arrastão, que foi interpretada por Elis Regina, no I Festival de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior). A Bossa Nova era colocada em xeque por um estilo que passa a ser mais abrangente, e com diferentes tendências, a MPB.
A MPB nasce com muitos artistas da segunda geração da Bossa Nova, como Geraldo Vandré, Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda, que eram figurinhas carimbadas dos festivais de música popular. Porém os trabalhos desses artistas já não possuíam grandes resquícios da Bossa Nova. As músicas Disparado (de Geraldo Vandré) e A banda (Chico Buarque), podem ser consideradas como o rompimento da Bossa Nova.


“[...]
É, só tinha de ser com você
Havia de ser prá você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você
[...]”
Só tinha de ser com você – Tom Jobim






E O QUE TEM PRA HOJE?


Atualmente, o que se ouve sobre Bossa Nova não é pouco; mas não é claro, de toda forma. Muitos preferem manter a Bossa Nova enterrada nos anos 60; entretanto, numa análise fria, encontramos muita veiculação do estilo na mídia.
Um exemplo claro e que já foi dado, são as novelas assinadas por Manoel Carlos. Apesar da vida inimaginável onde tudo dá certo, onde um Rio de Janeiro não tem favela nenhuma, e o menos favorecido (financeiramente) mora no Leblon (bairro nobre do Rio), mas as trilhas sonoras das novelas são sempre focadas na Bossa Nova e no Jazz.
Também na televisão, o canal de tevê por assinatura Cartoon Network, tem um horário especial de desenhos voltado para o público adulto, o mundialmente famoso [adult swim]. Dentre os desenhos apresentados no horário, tem um chamado “Laboratório Submarino 2021”, cuja vinheta mais veiculada são duas das personagens do desenho (dois tripulantes) dublando “As águas de março”, interpretada por Tom Jobim e Elis Regina.
Na música, artistas da chamada “Nova MPB” como Fernanda Porto e Vanessa da Mata, procuram misturar releituras de canções com “Só tinha de ser com você”, misturando com as batidas eletrônicas, dando ao estilo uma nova cara.
Também na nova música brasileira, temos artistas que mantém um formato mais “clássico” do estilo, como Bebel Gilberto, Maria Rita, Céu, entre tantos outros.
Já no cenário mundial, temos Everthing But The Girl, Buena Vista Social Club, Bitter:Sweet, Matt Bianco, Rubens Gonzáles dentre tantos outros que são influenciados pelo estilo atualmente.





GRANDES NOMES
Alaíde Costa
Antonio Carlos Jobim
Astrud Gilberto
Baden Powell
Carlos Lyra
Claudette Soares
Danilo Caymmi
Elizeth Cardoso
Johnny Alf
João Donato
João Gilberto
Luís Bonfá
Luiz Eça
Marcos Valle
Maysa
Miúcha
Nara Leão
Os Cariocas
Oscar Castro Neves
Roberto Menescal
Ronaldo Bôscoli
Sergio Mendes
Sylvia Telles
Stan Getz
Toquinho
Vinicius de Moraes



Laís Alves Silva, cursa jornalismo e consome diariamente altas doses de música, cafeína e absurdos que o povo fala.

Musica de Protesto: Ontem e Hoje

Quando falamos de música de protesto sempre nos vem a cabeça as musicas contra a ditadura dos anos 60, as que Chico Buarque e Geraldo Vandré escreviam, ou que o Tropicalismo cantou durante muito tempo. Mas o que era cantado, além da repressão sofrida, da censura esmagadora ou da falta de liberdade? Nada.

Como os cantores da época ditatorial eram, em sua grande maioria (senão todos) jovens universitários classe média/classe média alta, onde o que importava era falar sobre a ditadura, incitar as pessoas contra ela ou provocar.

Entretanto, a questão da diferença social, da luta de classe, tampouco os importava, se não chegavam a ignorá-la.

Diferente do que se pode perceber hoje, onde a nova música de protesto se caracteriza por RAPs pesados, que contam a vida na favela, a luta de classes, da classe pobre lutando todo dia contra a diferença e o preconceito. Dessa vez os músicos são os rappers, em sua maioria esmagadora moradores das favelas, homens e melhores de grande destaque em suas comunidades e que tem grande voz ativa com projetos sociais.

E ainda que essa nova música protestante tenha mais propósito do que as MPBs da época ditatorial, o “boom” que causou impacto a todos ainda não ocorreu com o RAP, mas as apostas são positivas quanto a isso.


Chico Buarque, músico dos protestos de ontem

MV Bill, rapper, músico dos protestos de hoje

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Ficou uma bosta, e foda-se.
Eu detesto firula e fiz o mais explicativo-e-simples que eu consegui.

Ah, vocês me conhecem.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Prova de minha identificação pré-reencarnatória

Gostaria de deixar exposto que os comentários que fiz sobre o Spartacus do Kubrick, eu já havia feito em um artigo de um jornal europeu em minha reencarnação anterior.

O legado de Glauber Rocha é meu!!!

Preparem-se para a estética Mychellinista com alicerces pornográficos!!!!

Beijãos,
Mym na era da informatização (caguei para a Web 2.0!!!)

Referência Bibliográfica

Olá crianças sexualizadas e Danino (pseudo-virgem),
Minhas referências bibliográficas serão os filmes que minha pobreza me possibilitou a adquirir neste país que só lançou em DVD 2 títulos de Glaubinho (meu espírito na reencarnação anterior): "Terra em Transe" e "Deus e o Diabo na Terra do Sol", graças à nosso querido ursinho ex-professor de Cultura e Realidade Brasileira tenho a pérola "A Idade da Terra". Minha maior referência é o amor que tive pela minha reencarnação passada e o livro "Revolução do Cinema Novo "de Glaubinho e comentários do Ismail Xavier, dei um tapinha no livro de Glaubinho que ele faz um panorama do cinema nacional até o cinema novo e no "Século do Cinema" do Glaubinho também. Portanto, meu artigo será totalmente Glaubinista.Terei que falar mal da Bossa Nova. Faço explicações sobre as condições históricas do cinema mundial? Em breve posto um esboço, então aproveitem o momento para palpitar senão vou mandar um "caguei para vocês!".

Pipopipoquinhas,
My (ex Glauber Rocha)

Quase lá...

Amores e Amoras hoje eu num tive condições físicas, psiquicas e morais pra ir pra faculdade, me desculpem, mas eu finalmente tive o tempo que precisava para fazer minha pesquisa YAY!!! Hoje a noite eu posto a referência bibliográfica e acho que até domingo a noite eu consigo postar meu texto...
Beijocas...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Prazos

Como a maioria esmagadora não terminou ainda seus textos, inclusive eu, vamos estender a postagem dos textos até a próxima quarta-feira (2/4). Creio que seja tempo suficiente pra gente poder escrever e postar pra revisão. E, como eu disse, vou conversar com o Flório sobre a entrega e tal.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Referencias do Teatro de Arena e Oficina

Mas para não ficarem tristes..ai vai minha referencias....

Arena

BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
DIONYSOS. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, n. 24, out. 1978. Número especial sobre o Teatro de Arena.
MAGALDI, Sábato. Um palco brasileiro: o Arena em São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1984. 100 p.
MICHALSKI, Yan. O palco amordaçado: 15 anos de censura teatral no Brasil. Rio Janeiro: Avenir, 1981.
MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta, 1982. 196 p.

Oficina

BRANDÃO, Tânia. Oficina: o trabalho da crise. In: MONOGRAFIAS 1979. Rio de Janeiro: Inacen, 1979. p. 11-62.
CORRÊA, José Celso Martinez; STAAL, Ana Helena Camargo de (Org.). Zé Celso Martinez Corrêa: primeiro ato: cadernos, depoimentos, entrevistas 1958-1974. São Paulo: Editora 34, 1998.
DYONISOS. Rio de Janeiro, n. 26, 1982. Número especial sobre Teatro Oficina. Organização Fernando Peixoto.
LIMA, Mariângela Alves de. Eu sou índio. In: O NACIONAL e o popular na cultura brasileira: seminários - teatro. São Paulo: Brasiliense, 1983. p. 163-171.
MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta Editorial, 1982.
NANDI, Ítala. Oficina: onde a arte não dormia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
SILVA, Armando Sérgio. Oficina: do teatro ao te-ato. São Paulo: Perspectiva: 1982.
Pessoal tah foda!!!

Acho que só vou conseguir postar meu texto segunda!!!! =[


Perdoem - me!

Beijoooooos
Mais uma referencia bibliográfica de Bossa Nova (porque eu sou preguiçosa mesmo).
http://historiasbossanova.blogspot.com/

A Ditadura Militar – A maior paulada no povo brasileiro da história nacional

“Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada... É tempo de meio silêncio, de boca gelada e murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.”
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Esse verso do grande poeta sem dúvida caracteriza os 21 anos sombrios da ditadura militar brasileira, iniciada em 1964. Para alguns, e durante muito tempo foi tratada dessa forma, esse período é denominado “revolução”. Normalmente, uma revolução é feita por grandes massas. Porém, neste caso, a revolução foi feita pela minoria, a elite brasileira, aqueles que detém as riquezas do país desde 1500.
Vamos tentar entender a situação, lembrando um pouco como estava o Brasil e o mundo, naquela época. Nos anos 60, o país ainda vinha embalado por dois grandes agentes motivadores, que até hoje funcionam em terras tupiniquins: o futebol e a economia. A seleção brasileira, em 1958 conquistou o campeonato mundial, na Suécia. O governo de Juscelino Kubistcheck alavancou a economia nacional, trazendo industrias e gerando empregos, sem falar da construção da nova capital federal, Brasília. O sentimento ufanista tomava conta do povo. Mas uma crise se instaurou no governo, após a renúncia do presidente eleito Jânio Quadros, em 1961, que se agravou ainda mais quando seu vice, João Goulart, assumiu a presidência. Jango, como era conhecido, queria uma maior participação popular nas decisões do governo, e o início da reforma agrária. As elites, formadas por banqueiros, empresários, a Igreja Católica e os militares, não se sentiram a vontade com tais mudanças, que afetariam muito seu modo de vida, e também envolvidos pelo medo comunista instaurado pela Guerra Fria, resolveram se mobilizar contra o governo. A maior manifestação foi a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, de 19 de março de 1964.
Temendo guerra civil, Jango fugiu para o Uruguai e os militares tomaram o poder em 31 de março de 1964, com o decreto do primeiro Ato Institucional. Está instaurada a ditadura militar no Brasil. Foram cinco os militares que assumiram a presidência: Castello Branco (1964-1967), Costa e Silva (1967-1969), Médici (1969-1974), Geisel (1974-1979) e Figueiredo (1979-1985), sendo que entre o governo de Costa e Silva e Médici, uma Junta Militar assumiu a presidência.
A ditadura, assim como as demais ditaduras latino-americanas, foi financiada pelos Estados Unidos para impedir um avanço das União Soviética e se socialismo que dominava o leste europeu. Tinham conseguido Cuba, mas seria somente isso. Americano não é bobo! A ditadura militar é mais uma prova da submissão brasileira em relação ao poderio econômico norte americano. “E para o Tio Sam? TUDO!!!!” E pro povo brasileiro? Engana-se que pensa em nada. Deu-lhe foi borracha, pau-de-arara, tortura, desaparecimentos até hoje mal explicados, assassinatos, DOPS, entre outras coisinhas. Foram anos de chumbo grosso para um povo que queria apenas uma distribuição de renda e terras justa e igualitária, mal sabia o que era socialismo. A temporada era de “Caça às bruxas”. Guardem suas vassouras subversivas. Escondam-nas atrás das das portas pois a censura chegou, e era estúpida e burra! Portanto não tinha muito critério, pra não dizer nenhum. A ordem era banir tudo o que fosse subversivo, sob a ótica dos analfabetos militares.
Nas artes e na imprensa a repressão era total. Censores proibiam toda e qualquer manifestação que fosse considerada subversiva. Vários jornais foram fechados. Senão fechados, tinham em seus exemplares, no lugar das matérias impróprias segundo a censura, receitas culinárias e poemas de Camões. Os atores da peça “Roda Viva” foram agredidos, e o teatro o espetáculo estava em cartaz foi destruído. No rádio e na televisão, a censura foi igualmente violenta. A novela “Roque Santeiro”, da TV Globo, que apoiava totalmente o regime militar, foi censurada no dia da estréia, depois de vinte capítulos prontos, escritos, e previamente aprovados pelos censores. A trama é de autoria de Dias Gomes, um autor de teatro que encontrou na TV um caminho para sobreviver e tentar manifestar seu pensamento e sua arte, trajetória seguida por outros colegas seus que se tornaram grandes novelistas.
Dentro da trajetória dos militares no poder, a TV Globo tem um capítulo a parte. Inaugurada em 1965, pelo jornalista Roberto Marinho, a emissora nasce com parte do capital ligado ao grupo americano Time-Life, algo ilegal para a época. Foi aberta uma CPI, mas como tudo no Brasil, acabou em pizza. Marinho ficou como único dono da TV Globo. A grande cartada da emissora foi aliar-se aos militares no projeto de integração nacional. Que melhor meio de colocar o povo inteiro, ou quase, pensando da mesma forma, senão por uma rede de televisão? Surge então a Rede Globo de Televisão. Outro fator que também favoreceu a Globo foi o fechamento da Rede Excelsior, que iniciara antes da emissora de Marinho a transmitir em rede. A Excelsior foi fechada após um incêndio suspeito em suas instalações, se afundar em dívidas, e, acima de tudo, se manifestar claramente contra o regime. Muito da estrutura de programação, e a própria grade de programação (dias e horários determinados para as atrações serem exibidas) que a Globo utiliza veio da Excelsior. O Mundo estava em guerra, mas o Brasil era a terra da paz, do samba, do futebol, do carnaval, das novelas, tudo transmitido na telinha da Globo. As emissoras de televisão tinham a função de alienar. É por isso que as novelas e programas de entretenimento (Silvio Santos, na Globo, chegou a ter oito horas ao vivo) eram mais longos, e os telejornais, devidamente censurados, tinham quinze ou trinta minutos no máximo!
O período mais violento do regime foi a partir de 1968 até 1974, o final do governo Médici. A repressão ficou muito mais agressiva, muito mais estúpida. Pensar acabava em prisão ou morte. É dessa época o famoso “Milagre Econômico”, lançado pelo então ministro Delfim Neto. Realizando obras faraônicas, como a Transamazônica e a ponte Rio-Niterói, e emprestando dinheiro no exterior, o Brasil viveu um período de relativo crescimento. Delfim disse a célebre frase: “É preciso fazer primeiro o bolo crescer para depois reparti-lo”. O bolo não cresceu o suficiente para dividir com o povo e, somando isso a crise do petróleo, o país contraiu altas dívidas e aumentou as taxas de juros. Desse bolo só o que cresceu mesmo foi a dor no bolso e na barriga do povo.
Coube então a Geisel iniciar um processo lento e gradual de volta à democracia, que foi concluído no governo de Figueiredo (aquele que preveria seus cavalos ao cheiro do povo), com a anistia e a escolha do primeiro presidente civil, Tancredo Neves, tomando-se todo o cuidado para não ter novamente a ameaça de perda do poder das elites. Um marco importante desse início, que gerou a primeira manifestação da década de 70 contra a ditadura, foi a prisão e assassinato do jornalista Wladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, em 1975. Mas não tinham grandes temores. Mesmo com a manifestação popular em pró das eleições diretas, conhecidas como “Diretas Já”, não houve um temor por parte da elite, sendo que o regime já estava desgastado e, economicamente, fez grandes estragos como uma grande recessão e alta inflação. A paulada na população tinha sido forte o suficiente, atingindo especialmente o intelecto brasileiro. Não só pelo exílio de pensadores, artistas, políticos e importantes figuras formadoras de opinião, mas também pelo estrago que foi feito na educação das gerações que nasceram nesta época, e por conseqüência seus herdeiros.
Levando-se em conta a proclamação da República, e a ditadura de Getúlio Vargas, somos, portanto, uma democracia em formação, muito jovem, e que convive ainda muito de perto com os resquícios do regime militar, com suas conseqüências e com seus problemas a resolver, especialmente na educação. Também tá na hora do povo despertar o sentimento de luta coletiva, e brigar mais pelos seus direitos, como nos anos 60. A pancada da ditadura foi tão forte que a impressão que tive, refletindo sobre o início da década de 90, é que o povo tinha medo de ir para as ruas, e ainda sinto um pouco isso. A constituição promulgada em 1988, três anos após o fim do regime, ainda pensava no Brasil da ditadura, não numa nação democrática. A intenção de Ulisses Guimarães foi ótima, mas está causando uma série de problemas nos dias de hoje. É preciso rever uma série de pontos, e também é preciso fazer despertar a garra de lutar pelos seus direitos como nação, todos juntos, pelo bem comum. Somente unido, o povo terá a seu favor um país justo e igualitário.

Danilo Nunes de Freitas, jornalismo
O Proprietário da Marmita Socialista.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/ditadura/
Gente, o meu trabalho já saiu, eu tou postando amanhã de noite, tá?



Tá muito critico e chato, mas nem ligo, ahahah /o/





beijo amo vocês.



Talita