Importantes centros de vanguarda o Teatro de Arena e Oficina, ganharam o país pela irreverência, e resistência aos anos de autoritarismo do país.
Tendo inicio na década de 50, o Teatro de Arena e o Oficina, foram responsáveis pela maior revolução teatral executada no país, e deixaram suas influencias até hoje.
O Teatro de Arena teve inicio em 1953, e foi reconhecido por nacionalizar os palcos, difundir textos e politizar a discussão da realidade nacional.
Com a peça, Eles Não Usam Black – Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em1958, o Arena passou a ter uma estética de esquerda e a discutir sobre a realidade do país, chamou a atenção de vários segmentos da sociedade, já que personagens como empregadas domésticas e operários em greve, por exemplo, nunca antes haviam sido protagonistas de uma peça teatral.
Porém, com a realidade trazida pelo golpe militar, a companhia teve de repensar seu repertório, sem deixar o ¨novo¨, o ¨desconhecido¨.
A solução veio com a criação de Arena Conta Zumbi,em 1965,trazendo um novo modelo de dramaturgia, chamado sistema coringa. O tema escolhido era grandioso, falava de revolução e de como era possível construir outra realidade, mais justa e igualitária.
O sistema coringa, se baseia em todos os atores fazendo todos os papéis, alternando-os entre si, usando uma indumentária única e sem aprofundamento psicológico nas interpretações. A ligação entre os fatos e a narração dos episódios obscuros ficavam por conta de um Coringa, elo entra a ficção e a platéia.
Esse teatro exortativo da revolução acabou-se por se chocar com a proposta do Teatro Oficina.
Reconhecido na década de 60 por conta do seu ¨espetáculo – manifesto¨, o Teatro Oficina criado em 1958 pelos estudantes da Faculdade São Francisco,tinha a proposta de fazer um teatro ¨novo¨,diferente do aburguesado TBC ( Teatro Brasileiro de Comédia) e do nacionalista Arena.
Assim, com apenas algumas idéias existencialistas,em 1959,o Oficina passou a montar suas peças em regime amador. Se tornando profissional somente em 1961, com a peça A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Oddets. Com esta peça o Oficina se torna reconhecido pela critica como a melhor, de encenação realista, produzida no país.
Mais é em 1967, com a encenação carnavalesca e antropofágica de o Rei da Vela, de Oswald de Andrade, e por se tornar o arauto de um movimento batizado como tropicalismo, é que o Oficina ganha enorme repercussão.
Porém, com a instauração do AI-5, a situação política, e cultural do país se agravou, e tanto o Arena quanto o Oficina sofreram conseqüências.
O Arena novamente teve de se reposicionar, porem organizou peças pobres feita as pressas para responder cada vez mais ao convulsionado momento político. Já o Oficina, juntamente com uma crise interna, se esfacelou.
O retorno do Arena,acontece quando o então diretor Augusto Boal,monta em 1971, o Teatro Jornal 1º Edição,na montagem surgiu uma nova frente estética voltada para a mobilização popular.Com leitura de jornais diários,o elenco improvisava noticias e apresentava diversas angulações do problema flagrado,oferecendo-se para ensinar o publico.Esta foi a gênese do teatro do oprimido.
Quanto ao Oficina,a volta aconteceu com remanescentes da companhia que com o nome de Oficina Usyna Uzona,passou a patrocinar a vinda e a trabalhar com o grupo experimental norte-americano Living Theatre.
Mas com a ditadura implacável ainda em vigor, ambos os diretores do Arena,Augusto Boal e do Oficina,José Celso,foram detidos e exilados,levando praticamente ao fim a saga das duas companhias teatrais.
O espaço do Teatro de Arena na Rua Teodoro Baima foi comprado em 1977 pelo Serviço Nacional de Teatro, e atualmente funciona com o nome de Teatro Experimental Eugênio Kusnet, e abriga elencos de pesquisa da linguagem teatral. Já espaço do Oficina,localizado na Rua Jaceguai,foi reformado e transformado em uma ¨rua cultural¨.
Camila Fredini, ”uma ex – futura atriz de teatro frustrada”.
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4 comentários:
Camila, uau. Muito bem escrito e bem estruturado. Precisa apenas de uma ou outra correção sintática de pontuação, mas conciso e bem pesquisado. Só faço um adendo, para que, naquele esquema de quadros explicativos, se vc puder, coloque um pequeno sumário das peças mais importantes. E quanto ao AI5, uma pequena citação sobre o que foi, com uma conclusão tipo "ver Ditadura Militar". Mas isso a gente resolve quando for diagramar.
mas está*
Adorei, to até com medo de postar o meu kkk, realmente a pesquisa foi foda...
Maravilha!!!!! Mas apoio o comentário da Laís, falta umas besteirinhas tipo uns dois acentos... mas de conteúdo, não tinha como ser melhor.
Parabéns!!!!!
Beijão,
MY (cacete o meu ficou uma mer...)
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